Por que a velocidade mata: a física dos atropelamentos urbanos
A 30 km/h, a chance de um pedestre sobreviver a um atropelamento passa de 90%. A 60 km/h, despenca para menos de 20%. Entenda o que está por trás desses números.
A relação entre velocidade e gravidade dos atropelamentos não é linear — é brutal. Estudos internacionais consolidados mostram que, atingido por um veículo a 30 km/h, um pedestre tem mais de 90% de chance de sobreviver. A 50 km/h, essa chance cai para menos de 50%. A 60 km/h, para menos de 20%.
A explicação está na energia cinética, que cresce com o quadrado da velocidade: dobrar a velocidade quadruplica a energia do impacto. É por isso que pequenos aumentos de velocidade produzem saltos enormes de letalidade.
Há ainda o fator tempo de reação. A 60 km/h, um motorista percorre quase 17 metros por segundo — distância suficiente para que uma criança que surge entre dois carros estacionados se torne impossível de evitar.
Reduzir a velocidade nas cidades não é uma questão de punição, mas de física e de empatia. Cidades que adotaram limites de 30 km/h em áreas residenciais registraram quedas consistentes de mortes de pedestres.

